AGORA \ Crítica Teatral
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Ruy Filho (SP), em São Paulo, 06/10/2015
Exercício de crítica via Twitter
foto divulgação

Os Pescadores de Pérolas

1. Assistir a uma ópera no cinema é interessante se as pessoas fossem à ópera e não ao cinema.

2. A ópera começa. E a coreografia parece primeiro dia de aula de Ivald Bertazzo para uma turma geriátrica, de tão pobre os movimentos.

3. Com o cenário feito por andaimes, Fernando Meirelles inova. Agora é a ópera quem copia os musicais.

4. A modernidade nos personagens centrais poderia estar em animações da Disney, sem problema.

5. Em entrevista, Fernando disse ter assistido apenas a 3 ou 4 óperas na vida. Fez realmente falta ter visto mais.

6. Pergunto-me quais são as óperas que ele assistiu? Porque se fosse ao menos uma do Robert Wilson, outra de Lepage e outra de Kastorff, certamente não faria o que está em cena.

7. Espera-se de um cineasta que a relação entre ópera e cinema seja incrível. Não é o caso.

8. O que se mostra projetado é apenas literal e figurativo. O cinema nessa ópera não serve pra nada.

9. Termina o primeiro ato. E eu penso com medo sobre a abertura da Olimpíada que Fernando está criando.

10. Sincronia e precisão não existem para o brasileiro.

11. Alguns momentos são constrangedores de amadores, como o efeito de balançar os tecidos em fila para criar paisagens.

12. Começa o segundo ato. Coro na plateia. Christiane Jatahy fez isso esse ano no Rio. O dela não era gratuito.

13. O uso de materiais que sugerem elementos regionais é a primeira leitura de qualquer estudante de teatro.

14. O coro entra com lanternas, o filme mostra uma fuga pela mata. As estéticas não são minimamente próximas, e não funcionam juntas. Tudo é apenas efeito.

15. Na encenação de Fernando Meirelles, Bizet mais parece Dias Gomes.

16. Fim do segundo ato. Melhor cancelarmos a abertura das Olimpíadas.

17. Começa o terceiro ato. Duas esperanças: que algo aconteça e melhore ou que seja o último.

18. Sem solução. A dança com os bastões é de uma cafonice irremediável. Parece teatro vocacional.

19. Fim. Se você ainda não assistiu a uma ópera, o melhor é esperar um pouco mais.