AGORA \ Crítica Teatral
TWITTER DE "MEDEAMATERIAL"
Ruy Filho (SP), em Porto Alegre, 04/03/2016
Exercício de crítica via Twitter
foto divulgação

MEDEAMATERIAL

1. Os atores estão no palco. Sempre me pergunto se sabem que entrei no teatro. Eles me olharam. Acho.

2. Gosto da melancolia da iluminação azul. Mas quando não é ilustrativa.

3. Tenho dúvidas sobre o uso do narrador em off, apesar de gostar muito da presença de uma voz que não está em cena.

4. O poético e o simbólico precisam sempre ser lentos?

5. Há dois sacos com água nas mãos da atriz. Um vaza, outro não. E tudo pode sugerir um signo.

6. É complicado quando a caricatura da voz se faz pelo recurso do grito.

7. A natureza simbólica de Medéia não se manifesta no palco preenchido apenas pelo corpo da atriz.

8. O trágico grita. Ou é gritado.

9. A luz, às vezes é só cenário, às vezes é só ambiente. E agora?

10. É divertido ver o público fingir que não está incomodado com o peixe. Riem e não respiram.

11. A cena com o peixe é bem naturalista. Então, por que a cena de sexo tem que virar caricatura e não pode ser naturalista também?

12. Eles nadam. A música muda. Duas pessoas pegam seus celulares na plateia. Não é culpa da cena.

13. Um celular toca. Também não é culpa da cena.

14. É melhor quando o personagem Jasão não é super construído, mas apenas existe em cena.

15. Medéia e água me lembram a encenação de Medéia de Dimitris Papaioannou.

16. Tirar o vestido e sair lento pelo fundo do palco lembram a outra encenação de Dimitris, desta vez uma sobre Pina Bausch. Mas Pina não está.

17. Existe um exagero controlado em Medéia, e a atriz, às vezes, se lembra e força o exagero.

18. Talvez seja a falta de dissonância que me frustre.

19. A ordem da cena impede de vivenciar a linguagem de Heiner Müller. Mesmo quando a desordem é controladamente organizada.